Hoje não preciso desabafar. Hoje não havia smog. Hoje, enquanto subia a Pamplona, voltando do lugar de sempre, observava um grupo de jovens andar mais à frente. Uma garota abraçava os ombros de um garoto e seu amigo andava ao lado. Pareciam cansados e felizes com a intensa e agitada noite que tiveram.
Atrás, meus pés doíam. Estavam sozinhos (exceto pela companhia das minhas pernas, tronco, braços, mãos e cabeça, claro), recapitulando a noite. Quando estava prestes a dobrar a Itú para, em fim, chegar em casa, um homem vinha na direção oposta. Ele tinha algo nas costas que imaginei ser uma daquelas caixas de engraxate, falou alguma coisa que não discerni e continuou seu caminho.
Nunca havia feito isso antes, quero dizer, ir à balada sozinho. Foi uma experiência interessante que poderá facilmente ser repetida. Porém... Como não é novidade, minha noite foi repleta de paqueras frustradas. Nem um romance dessa vez (ufa! ._.).
Tudo começou maravilhosamente bem. Cheguei na porta da DJ Club, dei meu nome e entrei. Até esse momento eu estava muito animado e curioso, afinal, era a primeira vez que estava indo sozinho para a balada. Fui direto para a pista. Estava repleta de pessoas (mais do que da outra vez). Tentei penetrar na multidão para conseguir um espaço na pista. Com sucesso consegui um cantinho mais ou menos perto do DJ (que essa noite não foi o Kid Vinil :( ).
À princípio, as músicas estavam bem fraquinhas. Agora não lembro de nem uma em especial. Reparei em algumas garotas... A situação não estava tão estimulante... Ao meu redor, dois casais gays e poucas garotas. Fui mais à frente e finalmente estava em um lugar mais confortável visualmente.
Então eu vi a garota Hepburn. Ela era tão lindinha. Me deu uma olhada discreta. Eu retribuí, mas eu estava bem retraído. Começo de festa é assim mesmo, precisamos de um tempo para nos adaptarmos ao ambiente.
É bom lembrar que começo de festa tem muita gente mala na pista. Pegadores que ficam zanzando de lá para cá dando em cima das menininhas, ninguém realmente interessado em dançar. Triste. Fiquei igual um joão-bobo de um lado para o outro no fluxo dos marombeiros.
De qualquer forma, eu estava lá. Tentando tirar o máximo que conseguia daquele momento. "Legal Tender" e "Born to Be Wild" foram os altos da noite até aí. O maravilhoso "fluxo", nessa altura, já havia me levado para o outro lado da pista. Umas pirralhinhas ficaram me olhando e trocando sussurros no ouvido. Isso não me animou em nada.
Musica vai, musica vem, meus pés fritando no chão. Hora da pausa. Fui ao bar, peguei uma água e desci novamente para a pista. Dessa vez fiquei próximo à escada. De repente: "Time Out For Fun". DEVO! Não poderia recusar uma das músicas mais dançantes da face da terra! Fui correndo me infiltrar mais uma vez naquele aglomerado de calor humano.
Dancei, dancei e dancei. O Devo merece. Depois começou uma sequência com o crème de la crème das músicas dos anos oitenta, logo, eu não parei de dançar! Troquei olhares com uma garota, nada demais. "Take On Me", "I'm So Sorry" e "Just Like Heaven" (ai... "Just Like Heaven", não tive como não lembrar da minha paixãozinha da festa passada). Continuei dançando perto das garotas.
As músicas foram passando e eu ficando de saco cheio... Ir para a balada sozinho não era tão legal quanto eu imaginava, ninguém para conversar. Saí da pista, fui pegar uma coca-cola e pagar a minha comanda. Estava tocando Raul... Isso geralmente significa que é hora de ir embora. Não satisfeito em ter pensado que já deveria ir embora, resolvi ficar mais um pouco.
Fiz bem. Músicas muito boas começaram a tocar quando voltei para a pista. Fui para um lugar coincidentemente perto de onde estavam algumas garotas que eu havia trocado olhares e, vejam só, elas conheciam a garota Hepburn! Meu coração deu uns pulinhos. Por outro lado, havia uma garota solitária ao meu lado. Resolvi tentar alguma coisa:
"Você está sozinha?!", eu perguntei.
Ela falou alguma coisa que não entendi.
"Você está sozinha?!", mais uma vez.
E mais uma vez não entendi.
"VOCÊ ESTÁ SOZINHA?!", dessa vez ela tinha que escutar de qualquer jeito.
Ela: "JÁ DISSE QUE ESTOU!!!", fez uma cara feia e foi-se embora.
:(
Triste, voltei para minha dança. A garota Hepburn continuava lá. Ela me olhava frequentemente. Me animei. De repente a amiga dela sai de cena e a deixa sozinha do meu lado, mas eu, bobão como sempre, não percebi nada. Só depois de três músicas que percebi que havia perdido uma grande chance.
Dancei mais. Triste. Sem ninguém. Toca "The Charming Man" dos Smiths.
É. Eu não sou nem um charming man.
Agora o dia está amanhecendo e meu pé esquerdo está com caimbra, enquanto eu termino este post.
Tenham um bom dia e até o próximo final de semana!
(P.S.: Se vocês estão gostando dessas resenhas de baladas frustradas, vocês poderão estar acompanhando as minhas aventuras em tempo real em: @marcotomia)
4 semanas atrás

1 comentários:
Não abandona, Marco!
Balada sozinho deve ser estranho, confesso que nunca fui.
Preciso experimentar um dia!
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